Depois da assinatura do protocolo entre a Associação Cultural Ephemera e a Câmara Municipal de Santa Comba Dão, na sexta-feira (28 de fevereiro), para a instalação do Centro Interpretativo do Estado Novo 1926-1974 na Escola Cantina Salazar, surgiu, esta quarta-feira (05 de março) o descontentamento da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP).
Em comunicado, a URAP sublinha que “foi de novo surpreendida pelas notícias sobre um projeto que se esperava estar definitivamente enterrado”.
“Custa a compreender que um presidente de Câmara de maioria PS e conhecidos investigadores de história contemporânea, conhecedores do que foi o fascismo e os seus crimes, retomem projeto tão contestado, tão repudiado por democratas e antifascistas e, uma vez mais desrespeitem, com retocados argumentos, sentimentos de todo um povo que tanto sofreu e lutou para se libertar da opressão e do terror”, pode ler-se.
Segundo a União de Resistentes Antifascistas Portugueses, a história do fascismo é conhecida, com as dezenas de milhares de presos políticos, os locais onde eram torturados, como na António Maria Cardoso, no Aljube, em Coimbra, no Porto, em Caxias e nas delegações da PIDE e nos diversos postos das polícias onde, em muitos casos, ocorriam os primeiros espancamentos;, assim como a lista dos 230 assassinados pelas polícias do regime fascista, a lista e os nomes dos cerca de dez mil jovens militares que morreram na guerra colonial e dos muitos mais milhares que regressaram estropiados.
A URAP, tal como o fez em momentos anteriores sobre o mesmo projeto, denuncia o que objetivamente é “a promoção de um ditador fascista, de 48 anos de terror e morte que ainda estão presentes na memória dos portugueses”. A associação defende que “para conhecer melhor e estudar o que foi o regime fascista de Salazar e Caetano”, que se recorra às universidades, onde se estuda a História Contemporânea, que se ajustem e melhorem os manuais escolares nos outros graus de ensino, “mostrando o que foram os 48 anos de barbárie e o que significou para os portugueses e para o mundo a Revolução de Abri”, que se visite o Museu do Aljube e o Museu Nacional Resistência e Liberdade, na Fortaleza de Peniche.
A URAP considera uma afronta que investigadores “teimem em querer erguer um tão inqualificável projeto”. “O país não precisa de locais para romagens dos saudosistas, nem que se falsifique ou branqueie o fascismo e os seus crimes”, refere.
A associação acrescenta que a Câmara Municipal de Santa Comba Dão “não pode ser isenta neste teimoso processo, ao pretender servir-se da figura sinistra do ditador fascista como forma de promoção do concelho, ofuscando a imagem e a natural beleza do município e da região”.
A URAP dirige-se a à comunidade para não ficar indiferente, para não aceitar e combater “esta repetida e igual iniciativa” da Câmara de Santa Comba Dão.
Foto: MunicÃpio de Santa Comba Dão