Um estudo realizado, entre setembro e outubro de 2024, por docentes da Escola Superior de Tecnologia de Viseu (ESTGV) revelou que os jovens demonstram lacunas significativas em conceitos essenciais de finanças pessoais e sobre conhecimento financeiro.
A amostra do estudo incluiu 172 respostas de estudantes do primeiro ano da ESTGV, sendo composta por 58,7% de homens e 41,3% de mulheres. A maioria dos participantes (72,7%) estava matriculada em cursos de licenciatura, enquanto os restantes frequentavam cursos de CTeSP. O estudo de 2024 comparou os dados com um estudo semelhante realizado em 2022, e os resultados revelam uma diminuição no nível de literacia financeira entre os jovens.
De acordo com o Instituto Politécnico de Viseu (IPV), os resultados revelam que as iniciativas para integrar a literacia financeira no currículo escolar têm sido, até agora, insuficientes. De acordo com o estudo, três em cada quatro dos participantes entende que literacia financeira deve ser parte obrigatória do currículo de ensino, sinalizando uma clara procura por uma abordagem mais eficaz neste campo.
“Os dados indicam que as políticas educacionais recentes do governo português, voltadas para a introdução de temas financeiros na educação, precisam ser revistas e ajustadas. A implementação de programas de literacia financeira mais robustos, relevantes e efetivamente proporcionados à generalidade dos estudantes (ou seja, fazendo parte da escolaridade obrigatória) é, portanto, uma medida crucial para preparar os jovens para a gestão responsável de suas finanças pessoais, especialmente num contexto de crescente complexidade económica”, explica.
Os autores do trabalho, Manuel Reis, Paula Sarabando, Rogério Matias e Tiago Miguel, sublinham a importância de repensar o modelo de ensino de finanças no país, durante todo o percurso da escolaridade obrigatória, ou seja, até 12º ano, dado que “a educação financeira é um pilar essencial para o futuro da sociedade portuguesa”. “A falta de conhecimentos financeiros pode ter impactos duradouros, não apenas para os indivíduos, mas também para a economia do país”, concluem.