Opinião: 'Incêndios Florestais', por Joana Viveiro, Pedro Pereira e Cristina Costa

A tragédia dos incêndios de 2017 marcou uma viragem na gestão do território rural. A partir daí iniciava-se uma reforma na política de prevenção de incêndios florestais que incluía várias medidas, tais como o programa ‘Aldeia Segura, Pessoas Seguras’, a obrigação da limpeza de terrenos privados, o cadastro florestal, a criação de faixas de proteção e a criação de modelos de gestão coletiva do território. Várias destas medidas começaram a avançar, tendo havido uma mudança de orientação na gestão política e técnica dos fogos. Mas a memória da tragédia foi-se esvanecendo e o plano derrapou. O essencial ficou por cumprir. A Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), que coordenava a reforma, lançava um alerta: ‘’sem um novo ímpeto, o país arrisca-se a assistir de novo à destruição de infraestruturas ou a danos nas comunidades urbanas”. Ao cenário de dificuldade na implementação das medidas, juntavam-se outros fatores: as vastas áreas de monocultura intensiva de eucalipto e pinheiro, o crescimento de espécies invasoras, as condições climáticas extremas e o problema do despovoamento. E foi então que, em agosto de 2022, 25% da área total do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) ficou destruída. A Serra voltava a arder como se nada tivesse sido aprendido. Como se o sofrimento de 2017 tivesse sido em vão. Como se os relatórios, os diagnósticos, os planos e as promessas não passassem de palavras ocas. Na sequência destes incêndios, o Governo aprova, em 2024, o ‘’famoso’’ Programa de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela (PRPNSE), com uma dotação de 155 milhões de euros. Um plano para promover o desenvolvimento sustentável da região, a recuperação e revitalização do património natural e biodiversidade, a inovação e o investimento para a revitalização económica, combatendo a perda demográfica e tornando o território mais resiliente às alterações climáticas. Mas, uma vez mais, nada passou do papel… e em agosto de 2025, tudo volta a acontecer! O incêndio, que começou no Piódão, em Arganil, e durou 11 dias até ser resolvido, deixou uma ferida aberta na região, atingindo sete concelhos e várias aldeias e áreas protegidas: Açor, Estrela e Gardunha. Foi a maior área ardida de sempre em Portugal, desde que há registo, contabilizando-se cerca de 64 mil hectares, triplicando a média anual nacional. As chamas galgaram montes, vales e rios, e destruíram tudo em redor das aldeias. Vários autarcas denunciaram, publicamente, a falta de bombeiros no terreno, a descoordenação das equipas e a ausência de meios aéreos no combate aos incêndios. As tradicionais festas de verão, um dos momentos altos do ano para estas comunidades, deram lugar ao desalento e ao medo. Foram destruídas casas, animais, explorações agrícolas e agropecuárias, mas também ecossistemas e geossítios, em particular do Geopark Estrela. Pastores, empresários do turismo, autarcas, ONGs e habitantes, falam num prejuízo social, económico e ambiental ainda difícil de estimar. A região do Rio Alvoco, que atravessa várias freguesias dos concelhos de Seia (Alvoco da Serra, Vide) e Oliveira do Hospital (Alvoco das Várzeas e São Sebastião da Feira), foi uma das mais afetadas pelo incêndio. Esta área, conhecida como “o interior do interior”, tem enfrentado desafios extremos: abandono, envelhecimento, ausência de oportunidades, presença de uma monocultura de pinheiro e eucalipto, e, claro, incêndios recorrentes. Apesar disso, é uma região com uma forte identidade comunitária e espírito de união. O Movimento Estrela Viva (MEV) tem realizado nesta zona, ao longo dos anos, várias iniciativas com o apoio da comunidade: ações de reflorestação, de sustentação de solos e de controlo de espécies invasoras. Foi também aqui que nasceu o projeto "Pontes para o Rio Alvoco", que promove o diálogo e a cooperação entre as comunidades e o território. Infelizmente, e mais uma vez, tudo o fogo levou. E por isso hoje, e tal como em 2017, voltamos a erguer a voz, agora mais alto! Estamos cansados! …de assistir à destruição de um território que conhecemos profundamente e que tentámos recuperar, ao longo dos últimos anos, com o esforço de toda uma comunidade unida em torno de uma causa. …de sermos só lembrados nas tragédias e abandonados durante todo o ano. …de décadas de desinvestimento, de políticas erráticas, de promessas por cumprir e de continuarmos a pertencer a um território periférico e descartável. …de sermos apelidados de ‘’comunidades resilientes’’, quando, na verdade, somos é ‘’sobreviventes’’, porque resistir ao abandono, à negligência e à tragédia não é uma opção, mas sim uma imposição pela ausência de políticas públicas eficazes. …de ‘’dar’’ e de pouco ou nada receber, já que o interior é o sustento do litoral com diversos recursos naturais, incluindo minerais, energéticos (água, vento), produtos agrícolas e florestais, que são essenciais para a economia e o desenvolvimento do país. Por isso mesmo, não podemos continuar a viver entre cinzas e promessas vãs a cada ciclo político, a viver de medidas avulso lançadas todos os verões sob pressão mediática! Exigimos que se olhe para este território com a dignidade que ele merece, que se ouça quem cá vive. Que se respeite quem decidiu aqui viver em segurança. É tempo de exigirmos um verdadeiro e efetivo pacto de regime para a floresta e para o nosso interior. Um compromisso a longo prazo, que não seja refém de ciclos partidários, que una governo, partidos, autarcas, academia, especialistas e comunidade, assente numa gestão sustentável e participada do território, numa revitalização económica e social centrada em novas formas de aproveitamento da floresta e numa adaptação às alterações climáticas, com medidas robustas e integradas que preparem o território para os fenómenos extremos cada vez mais frequentes. A nossa Serra da Estrela é natureza, é casa, é memória, é sustento, é vida, é futuro! E o nosso futuro não pode continuar a arder!

Texto de Joana Viveiro Pedro Pereira Cristina Costa Coordenação, Movimento Estrela Viva

Publicado por: Irene Ferreira
2025-08-26 09:10:14

 

Foto: Dão Digital

 


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Viseu: Viseu Marca fala em quase 1 milhão de lucro financeiro da Feira de S. Mateus (c/ áudio)

A Viseu Marca, que organiza a Feira de S. Mateus, anunciou, esta terça-feira (06 de outubro) que a “feira franca” registou na edição deste ano,  um lucro financeiro de cerca de um milhão de euros.
José Fernandes, o presidente da entidade, confirmou também aos jornalistas que o evento, com  mais de 600 anos, recebeu entre os dias 6 de agosto e 6 de setembro, mais de um milhão de visitantes.

Segundo José Fernandes, o impacto económico direto associado à Feira de São Mateus foi superior aos 30 milhões de euros.
Já a pensar na edição do próximo ano, a Feira de S. Mateus vai decorrer de 5 de agosto a 5 de setembro e com novidades. A Viseu Marca pretende reforçar a programação cultural, dando ainda mais destaque ao vinho da região, às artes tradicionais, entre outras áreas.
José Fernandes, presidente da Viseu Marca, referiu ainda, que vai pedir eleições antecipadas até ao final do ano. 

(Áudio cedido por António Arede)

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Tondela: juntas de freguesia receberam rádios SIRESP e sinalização de trânsito

O Município de Tondela entregou às juntas e uniões de freguesias do concelho rádios do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança (SIRESP) e kits de sinalização rodoviária, com o objetivo de reforçar a capacidade das autarquias em situações de emergência e de proteção civil.
Cada junta recebeu um aparelho e um kit. O investimento municipal ultrapassou os 35 mil euros.
Além de receberem os rádios SIRESP, os autarcas terão acesso a formação para poderem utilizar da melhor maneira os aparelhos e testarem o modo de funcionamento do sistema de comunicações que serve para cima de 40 mil utilizadores de mais de 180 entidades em todo o país.
O kit é composto por diversos sinais, nomeadamente de perigo, passagem estreita, sentido proibido, perigo de neve ou gelo, trabalhos na via, sentido obrigatório, piso escorregadio e ainda cones de sinalização de trânsito. 

 

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Bombeiros de Castro Daire representam experiência portuguesa em congresso internacional na Bélgica

Os Bombeiros Voluntários de Castro Daire vão marcar presença no Brandweercongres 2026, na Bélgica, entre esta quinta-feira e sábado (de 8 a 10 de outubro), onde vão partilhar com os bombeiros belgas a experiência operacional portuguesa no combate aos incêndios rurais.
O congresso pretende proporcionar um espaço de reflexão e intercâmbio sobre os desafios que atualmente se colocam aos corpos de bombeiros europeus, reunindo profissionais e instituições ligadas à proteção e socorro.
Fernando Albuquerque, 2º Comandante da corporação, irá ministrar o workshop "Natuurbrandbestrijding over de grenzen heen — Bombeiros Castro Daire", dedicado ao tema do combate aos incêndios rurais além-fronteiras.
Para os Bombeiros de Castro Daire, a presença neste encontro constitui também uma forma de reconhecimento do trabalho desenvolvido nas áreas da formação, qualificação operacional e ligação a parceiros internacionais.
Neste percurso assume particular importância a parceria estabelecida com a Gear UP Safety VZW, desenvolvida em conjunto com os Bombeiros Voluntários de Castro Daire e o respetivo Centro de Formação e Capacitação. A colaboração tem permitido promover iniciativas conjuntas entre bombeiros portugueses e belgas.
Ao longo dos últimos anos, a relação possibilitou ainda a presença, em Portugal, de bombeiros belgas em ações de formação e de contacto com a realidade operacional nacional, contribuindo para uma ligação entre instituições e profissionais dos dois países.

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Grupo Desportivo de Mangualde leva o Futebol às crianças da Obra Social Beatriz Pais (c/ áudio)

“GDM na Escola – Kids Football – Movimento, Desenvolvimento e Futebol na Primeira Infância” é o projeto que o clube mangualdense está a implementar junto de algumas instituições de apoio à infância.
O Grupo Desportivo assinou um protocolo com a Obra Social Beatriz Pais – Raúl Saraiva para dar início ao projeto piloto que será desenvolvido ao longo deste ano letivo 2026/2027.
Em declarações à Dão Digital, Ruben Marques, presidente do GDM, explicou que o projeto é dirigido a crianças dos 1 aos 5 anos e que pretende incutir o gosto pela modalidade do futebol, pela prática desportiva no geral, assim como aproximar o clube da comunidade. 
O projeto arrancou no início deste mês de outubro, abrangendo 80 crianças da Obra Social Beatriz Pais e Raul Saraiva, mas o objetivo passa, no futuro, por chegar a mais escolas e instituições do concelho de Mangualde.

O Grupo Desportivo de Mangualde pretende com o projeto levar o desporto às crianças desde os primeiros anos, de uma forma divertida, adaptada e adequada a cada idade.
A atividade é realizada por técnicos do clube.

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Castro Daire dedica este mês de outubro à promoção da saúde mental

No âmbito da celebração do Dia Mundial da Saúde Mental, assinalado a 10 de outubro, o Município de Castro Daire, a Equipa Comunitária de Saúde Mental Dão-Lafões (ECSM-DL) e entidades parceiras promovem o Mês da Saúde Mental. A programação decorre ao longo do mês de outubro e reúne ações de sensibilização e encontros com profissionais em diferentes espaços do concelho.
A programação iniciou esta terça-feira (06 de outubro), na Escola Secundária de Castro Daire, com uma sessão psicoeducativa sobre “Mitos e factos em saúde mental”, dinamizada pela médica interna de Psiquiatria Sara Torres e pelo psicólogo clínico da ECSM-DL Tiago Cruz.
No sábado (10 de outubro), a ASSOCREL organiza as IV Caminhadas da Mente, em Lamelas, às 9h00, seguindo-se a conversa “Saúde Mental enquanto há tempo: Como tratar?”. Ainda neste dia, as Oficinas do Bem-Estar decorrem durante a tarde, com a palestra “Nunca é Tarde Demais”. Seguem-se uma sessão de Yoga do Riso e um lanche de convívio.
A 13 de outubro, realiza-se o IV Simpósio de Saúde Mental de Castro Daire, no Auditório do Centro Municipal da Cultura. A manhã será dedicada à saúde mental perinatal e à utilização da inteligência artificial na saúde mental, com particular atenção aos dilemas éticos que coloca. Durante a tarde, a Sala de Formação dos Bombeiros Voluntários de Castro Daire acolhe os workshops “Cuidar da Mente: Estratégias para o bem-estar emocional” e “Primeiros Socorros Psicológicos”.
O Mês da Saúde Mental encerra a programação no dia 21 de outubro, com a dinâmica “À conversa sobre…”, dedicada ao tema “As várias dimensões da morte”.

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Viseu: Seminário Maior acolhe workshops sobre boas práticas no apoio à pessoa idosa

O Centro Sócio Pastoral da Diocese de Viseu vai promover, na sexta-feira (9 de outubro),  workshops de saúde intitulados “Cuidar de Quem Cuida: Boas Práticas no Apoio à Pessoa Idosa”.
A iniciativa vai decorrer entre as 9h00 e as 17h00, no Seminário Maior de Viseu. Dirigido a colaboradores de IPSS, ajudantes de ação direta, técnicos de apoio à pessoa idosa e outros profissionais ligados à prestação de cuidados, o encontro pretende reforçar a formação e a valorização daqueles que diariamente acompanham a população idosa. Entre os objetivos da iniciativa estão a promoção de conhecimentos práticos, a melhoria da qualidade dos cuidados prestados às pessoas idosas e o reforço das competências técnicas e do bem-estar dos profissionais.
O programa integra um conjunto de sessões dedicadas a temas como a prevenção de infeções, a prevenção e tratamento de úlceras de pressão, a segurança na mobilização da pessoa idosa e a prevenção do burnout e o autocuidado dos cuidadores. Haverá ainda uma mesa-redonda para debate e, durante a tarde, três workshops práticos sobre higiene e conforto da pessoa dependente, transferências e mobilização segura da pessoa idosa e avaliação de parâmetros básicos através da pesquisa de glicémia capilar.
A organização destaca que esta ação pretende responder aos desafios crescentes colocados pelo envelhecimento da população, apostando na atualização de conhecimentos e na partilha de boas práticas entre os profissionais da área social e da saúde. 

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