O Primeiro-ministro, Luís Montenegro, esteve em Sernancelhe, esta segunda-feira (15 de setembro), para testemunhar a chegada de apoios financeiros a cerca de meia centena de agricultores afetados pelos incêndios florestais de agosto. Com 392 candidaturas já apresentadas, com um prejuízo declarado superior a nove milhões de euros, e perto de dois milhões de euros considerados, Sernancelhe é, neste momento, o concelho com mais candidaturas submetidas em toda a região Norte.
O governante ouviu o presidente da Câmara de Sernancelhe, Carlos Santos, referir que as chamas que afetaram o território, entre 13 e 18 de agosto, percorreram 17 freguesias, ou seja, 17.214 hectares, numa área total de 75% do concelho.
No retrato que fez dos prejuízos causados pelas chamas, Carlos Santos destacou o “risco de desaparecer” a produção da castanha dos Soutos da Lapa, cujos “maiores produtores” são Sernancelhe, Penedono e Trancoso.
“Estamos perante desafios que requerem medidas de âmbito nacional. O setor da castanha, um dos mais importantes do nosso concelho, sofreu um duro golpe. A perda de quase 350 hectares de soutos tem impacto direto na vida de cerca de uma centena de produtores do concelho, não só de forma imediata como nas próximas duas décadas”,referiu.
O presidente da autarquia pediu ao primeiro-ministro apoio para “um projeto-piloto” para o baldio de Sernancelhe e que “permitirá reflorestar com espécies resistentes ao fogo”. “Replantar soutos da nossa variedade, Martaínha, criar pontos de água, espaços de pastagens, desenhar uma paisagem resiliente que possa ser o legado das próximas gerações”, adiantou.
O primeiro-ministro prometeu esse apoio e, em resposta ao pedido do autarca, referiu que “o apelo que aqui fez não vai cair em saco roto".
Foto: MunicÃpio de Sernancelhe