O Museu Nacional Grão Vasco, em Viseu, recebeu um Crucifixo com Calvário do século XVII. Uma obra ímpar da arte luso-oriental, doada por Paulo Pinto de Albuquerque, jurista, académico e antigo juiz do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. De acordo com o espaço museológico, é uma das mais relevantes incorporações do acervo nas últimas décadas.
A doação, anunciada esta terça-feira (9 de dezembro), simbolicamente no Dia Internacional dos Direitos Humanos, reforça, segundo o Museu, a ligação profunda do mecenas a Viseu, cidade onde cresceu e iniciou o seu percurso académico. Reconhecido pela carreira judiciária, académica e internacional, Paulo Pinto de Albuquerque tornou-se mecenas do Museu Nacional Grão Vasco assegurando que esta peça permaneça na instituição de forma definitiva.
O conjunto é composto por um Cristo Crucificado em marfim do Ceilão (Sri Lanka) e um amplo Crucifixo e Calvário em ébano de Goa. A peça tem 170 cm de altura.
“O conjunto integra ainda 22 relíquias de santos, inseridas em pequenas virolas metálicas com vidro, preservando a sua função devocional original. No compartimento central, um medalhão em cera representa o Agnus Dei, reforçando o simbolismo teológico da obra”, explica o Museu Grão Vasco.
Considerada por especialistas uma das mais notáveis esculturas em marfim conhecidas em Portugal, esta peça singular pertenceu à Igreja do Corpo Santo, do extinto Convento da Senhora do Rosário, em Lisboa, fundado no século XVII por dominicanos irlandeses. Após a saída definitiva dos monges dominicanos de Portugal, em 2021, a obra foi adquirida por um antiquário e mais tarde, em 2024, por Paulo Pinto de Albuquerque, que agora a entrega ao Museu Nacional Grão Vasco.
A obra vai integrar a exposição permanente, na sala “Encontro de Culturas”.