A Associação dos Trabalhadores das Minas de Urânio (ATMU), com sede na Urgeiriça, no concelho de Nelas, responsabiliza a Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM) e o Governo por mais uma morte de um antigo mineiro que vivia nas habitações ainda contaminadas pela radioatividade.
Adelino Carreiras, antigo trabalhador das minas de urânio, vítima de doença oncológica, morreu esta sexta-feira (16 de janeiro), aos 66 anos. O antigo mineiro estava a ser acompanhado pelo Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra.
Segundo a Associação dos Trabalhadores das Minas de Urânio, Adelino Carreiras foi um “grande lutador” contra uma doença que tem afetado de forma recorrente antigos mineiros e respetivas famílias, consequência das más condições de trabalho e da exposição prolongada a ambientes contaminados durante décadas de exploração mineira em Portugal.
A associação sublinha que a tragédia ganha contornos ainda mais graves pelo facto de o pai de Adelino, também ex-mineiro, a mãe e um irmão terem igualmente falecido com doença oncológica, todos com um fator comum: viveram na mesma habitação, situada numa zona com elevados níveis de contaminação ambiental.
De acordo com a ATMU, o antigo trabalhador das minas de urânio residia numa casa referenciada pela Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM) como contaminada. O IPO de Coimbra terá emitido uma declaração, entregue à EDM e à Secretaria de Estado da Energia, alertando que o ex-mineiro não podia permanecer naquela habitação, uma vez que as condições interferiam negativamente com os tratamentos oncológicos que realizava.
A ATMU acusa a EDM e o Governo de cumplicidade, afirmando que, apesar de existir conhecimento do problema e de ter sido acordada com a associação a retirada temporária do morador até à conclusão das obras de descontaminação ambiental, essa decisão não foi concretizada.
A ATMU anunciou que vai exigir responsabilidades na reunião marcada para o próximo dia 21 deste mês, com a Comissão Parlamentar dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. A associação conclui afirmando que a situação não pode ficar impune e que os responsáveis devem ser devidamente identificados e responsabilizados.