O executivo municipal de Nelas, liderado pelo PSD, aprovou, na quarta-feira (11 de fevereiro), o terceiro vereador a tempo inteiro, com os votos contra de dois vereadores do PS e do vereador do CDS-PP. Depois de, em 12 de outubro do ano passado, o eleitorado de Nelas ter eleito três mandatos para o PSD, três mandatos para o PS e um mandato para o CDS-PP, não permitiu a maioria ao executivo liderado por Joaquim Amaral.
Uma situação, que, nos últimos meses, tem levantado polémica com a falta de entendimento entre os eleitos e que levou o presidente da Câmara Municipal a convidar um dos vereadores socialistas, Ilídio José Loureiro, a integrar o executivo a tempo inteiro, conseguindo assim mais um voto a favor.
Proposta que foi aceite e que foi a votação na reunião do executivo, na quarta-feira, desta vez com quatro votos a favor e três contra.
Em comunicado enviado à Dão Digital, o vereador Ilídio Loureiro justifica a decisão com “a situação de impasse que se verifica na gestão da Câmara Municipal de Nelas, que não pode continuar a ser condição contrária ao princípio de condições necessárias à governabilidade de uma autarquia”.
O vereador acrescenta que o entendimento firmado com o presidente da Câmara pretende assegurar condições de governabilidade do Executivo “e estabelecer fundamentos para que o nosso concelho possa prosseguir a senda do progresso e do desenvolvimento integrado e harmonioso de todo o território".
“Em primeiro lugar está o meu concelho, o bem estar das pessoas e das comunidades e o desenvolvimento sustentável”, sustenta.
“É nesse desiderato maior da estabilidade da gestão e de governabilidade que assumi o compromisso em nome das populações do concelho de Nelas, do desenvolvimento e da crescente qualidade de vida de todos”, conclui.
Perante a decisão do vereador socialista, a Comissão Política Concelhia do PS de Nelas deliberou, por unanimidade, retirar a confiança política a Ilídio Loureiro, que continua o mandato como independente.
Em comunicado, o PS afirma que, após análise da atuação política do vereador, concluiu que este rompeu de forma “consciente, voluntária e definitiva” com a confiança política do partido, adotando comportamentos que se afastam do projeto sufragado pelos eleitores nas últimas eleições autárquicas.
Segundo a estrutura socialista, a conduta do vereador configura uma “grave quebra de lealdade política” e um “desvio intencional do mandato”, com impactos diretos no equilíbrio democrático resultante do ato eleitoral. O partido sublinha ainda que não aceita nem normaliza atitudes que coloquem interesses individuais acima da responsabilidade política coletiva e da vontade dos eleitores.
O PS de Nelas esclarece que a permanência de Ilídio Loureiro em funções, sem qualquer vínculo político ao partido, é da sua exclusiva responsabilidade, não podendo ser confundida, em circunstância alguma, com representação socialista.
Já a concelhia de Nelas do PSD considera que a decisão de fixação do vereador Ilídio Loureiro em regime de tempo inteiro “resulta de uma necessidade objetiva e incontrolável para garantir estabilidade e reforçar a capacidade de intervenção do executivo e criar condições para resolver os problemas concretos do concelho". Os social democratas referem que assegurar uma maioria estável é um ato de responsabilidade.