A companhia Formiga Atómica, dirigida por Inês Barahona e Miguel Fragata, apresenta, na sexta-feira (13 de março), às 21h00, no Teatro Viriato, a peça de teatro “Só Mais Uma Gaivota”. Partindo da obra clássica “A Gaivota”, de Anton Tchékhov, a criação expande-se para além do palco e integra também a exibição do documentário “Gaivotas em Terra”, no dia seguinte (sábado), às 16h00.
Em 2005, no palco do Teatro Helena Sá e Costa (ESMAE; Porto), um grupo de jovens artistas apresentava "A Gaivota", de Anton Tchékhov, terminando o percurso enquanto alunos, num misto de expectativas e angústias em relação ao seu futuro profissional.
Passados exatamente 20 anos, Miguel Fragata, um desses jovens atores, parte em busca do destino dos colegas. No terreno híbrido da ficção e da realidade, constrói o espetáculo "Só Mais Uma Gaivota", onde procura o destino das personagens-artistas, depois de descido o pano e escrita a palavra “fim”.
“Conheci «A Gaivota», algures durante o curso de teatro, juntamente com outras peças de Tchékhov. Mas foi realmente naquele Verão de 2005 que fiquei a conhecer «A Gaivota», de uma forma completa e profunda. Foi esse texto que criou pela primeira vez a sensação de que o teatro podia dialogar com a realidade. Ao longo dos anos, «A Gaivota», acompanhou-me no meu percurso enquanto artista, no desejo latente de um dia regressar a esse texto, mas enquanto espetador também, de uma forma regular”, partilha o ator.
“Foi uma tecelagem complexa. Por um lado, há a tendência para sacralizar o texto de Tchékhov, que permanece praticamente intocado nos excertos que vão surgindo no espetáculo, embora, por exemplo, a existência de diferentes traduções nos tenha feito questionar em qual delas estava o verdadeiro Tchékhov. Aliás, o confronto com inúmeras adaptações, confirmou aquilo que intuímos: um texto clássico sobrevive na sua essência, ou melhor, até revive na sua essência com esse gesto tantas vezes condenado por iconoclasta, que é o de lhe encontrar novas leituras e sentidos fortes”, explica Inês Barahona.
A apresentação no dia 13, no Teatro Viriato, é uma sessão acessível que conta com Audiodescrição e Língua Gestual Portuguesa, permitindo uma experiência cultural mais inclusiva.
© Sofia Bernardo