O PCP, através das Organizações Regionais de Coimbra e Viseu, rejeita a possibilidade de introdução de portagens no IP3 após a conclusão das obras de requalificação e duplicação da via, na sequência de declarações do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.
Em comunicado, o partido considera que a eventual cobrança de portagens representa uma opção política que “colide com os interesses da região e das populações”, defendendo que o IP3 deve permanecer gratuito.
O PCP recorda que o n.º 2 do artigo 208.º da Lei n.º 73-A/2025, de 30 de dezembro, que aprovou o Orçamento do Estado para 2026, determina que o Governo desenvolva, durante este ano, os procedimentos necessários à “integral requalificação e duplicação do IP3”, garantindo que a via “se mantém sem qualquer tipo de portagens”.
Segundo o partido, esta norma resulta da proposta de alteração 950C, apresentada pelo PCP durante a discussão do Orçamento do Estado para 2026.
Para os comunistas, a requalificação e duplicação do IP3 constitui uma responsabilidade do Estado, tendo em conta a importância da estrada para a região, a segurança rodoviária e o desenvolvimento económico e social. O partido considera ainda que a introdução de portagens representaria a transferência dos custos do investimento público para os utilizadores da via.
“O IP3 é uma via estruturante, sucessivamente adiada durante décadas e sem alternativas viáveis”, sustenta o PCP, que rejeita a possibilidade de transformar a infraestrutura “num negócio de alguns às custas das populações e das empresas”.
O partido argumenta também que a cobrança de portagens teria impacto nas deslocações de trabalhadores, famílias, pequenos e médios empresários e no transporte de mercadorias entre o litoral e o interior.
O PCP exige ao Governo que cumpra o disposto no Orçamento do Estado para 2026, assegurando o financiamento, o calendário e a execução das obras previstas, e que mantenha a garantia de que o IP3 continuará “sem qualquer tipo de portagens”.
Foto: Dão Digital