Mais de uma centena de agentes pastorais e membros da comunidade participaram na formação intitulada ‘Violência sexual no contexto da Igreja Católica em Portugal’, que decorreu no passado sábado, 15 de fevereiro, em Viseu, promovida pela Comissão Diocesana de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis e pelo Grupo VITA.
A sessão foi orientada por Ricardo Barroso e Joana Alexandre (do Grupo VITA), que se têm dedicado nos últimos anos à temática dos abusos sexuais na Igreja, nas áreas da prevenção, acompanhamento das situações, investigação e formação dos agentes pastorais.
Cátia Almeida, coordenadora da Comissão Diocesana de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, deu início aos trabalhos com a apresentação do grupo de trabalho da Diocese de Viseu e referiu a importância da formação no contexto da prevenção. “A Igreja decidiu olhar de frente para este flagelo, para esta temática tão difícil dos abusos sexuais, levantar o véu e enfrentar o problema de frente”, enalteceu, sublinhando a evolução que tem vindo a ser feita nesta área. A coordenadora referiu-se ainda ao trabalho que está a ser realizado atualmente como uma “torre de vigia”, que “observa atentamente, que deteta, que acolhe, que orienta e que acompanha”. “A Igreja neste campo está a trilhar um caminho que outras instituições deviam seguir também”, defendeu.
Os oradores Ricardo Barroso e Joana Alexandre apresentaram o Grupo VITA e a sua missão, após a sua criação em 2023 e mencionaram as estatísticas em torno do abuso sexual, no contexto internacional e nacional. Abordaram o perfil dos agressores e o perfil das vítimas, exemplificaram os sinais de alarme de situações potencialmente problemáticas, referiram as estratégias preventivas que devem ser divulgadas em todos os ambientes da Igreja onde haja relação com crianças e adolescentes e esclareceram as dúvidas dos participantes.
O Bispo de Viseu, que também esteve presente na sessão, destacou a importância do trabalho feito pela Comissão Diocesana, tanto dos membros anteriores como dos que estão agora ao serviço. D. António Luciano enalteceu a importância de se trabalhar este “tema que fere as vítimas, a Igreja e a Humanidade”. “Mesmo quando as feridas são curadas ficam as cicatrizes e a dor permanece na vida da Igreja e das comunidades”, referiu.